Entrevista com David Garrigues

O texto e as imagens foram gentilmente cedidos por David Garrigues para tradução e publicação no Movimento Ashtanga.

Post original:

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Como foi seu primeiro contato com a yoga?

Eu tinha dezesseis anos e trabalhava limpando mesas em um restaurante. O rapaz que lavava pratos era super interessado em assuntos de metafísica, fenômenos sobrenaturais, extra terrestres, teorias de conspiração, etc, e um dia ele me falou sobre Yoga. Naquela tarde, ele me levou ao parque local e me mostrou o Surya Namaskar. Daquele ponto em diante comecei a praticar as  saudações ao sol.

Conte-nos sobre o caminho que a sua prática de yoga tomou.

Em 1991, fiquei em 4º lugar na Maratona de Seattle após treinar rigorosamente por alguns meses. Meu corpo estava completamente rígido e então decider ir a uma aula de Iyengar Yoga. Fiquei viciado e comecei a ir todos os dias. Eventualmente, encontrei dois importantes professores que acenderam o fogo do Yoga em mim e me ajudaram a escolher esse como o meu caminho de vida. Em 1993 vi um vídeo de Pattabhi Jois ensinando aos seus alunos (Freeman, Chuck e Tim) e um anúncio no Jornal Yoga de que ele estava vindo para Los Angeles. Fui praticar com ele durante um mês. Então em 94 fui para a Índia e fiquei lá praticamente dois anos. Ao fim desse tempo Guruji me concedeu a certificação. Voltei para Seattle e por dez anos dirigi a Ashtanga Yoga School  retornando sempre para a Índia uma ou duas vezes por ano para praticar com Guruji. Em uma de minhas primeiras visitas à Índia, descobri o canto e comecei a praticar Bhakti Yoga por meio da música. Agora me considero um praticante de ambos Bhakti e Hatha Yoga. Nos últimos anos, comecei  a fazer uma escolha mais organizada e consciente sobre como compartilhar o que eu aprendi através da mídia social: DVDs, CDs, e blogs. Todos esses meios de comunicação me impulsionam a aprofundar nos ensinamentos e a compartilhar o que me foi passado. E é aí que vejo o meu futuro, contipraticando, estudando e compartilhando o que estou aprendendo.

Quem foram os seus maiores mestres de yoga e por quê?

Marie Svoboda, que me ensinou sobre o processo de como se entrar em um asana e que o mais importante é o processo, não o fim. Ela também me ensinou sobre o ritmo. Aadil Palkhivala, que ainda ensina em Seattle. Ele é um professor sênior de Iyengar e me ensinou a pensar criativamente e terapeuticamente sobre o corpo. E como refinar interminavelmente um asana. Também me ensinou a apreciar quando uma atmosfera mágica surge durante uma aula. Ramanad Patel, que oferece workshops em todo o mundo e me ensinou sobre como combinar Bhakti Yoga e trabalhar os asana em uma aula. Pattabhi Jois, que me ensinou tudo … como estar no meu próprio e como ser uma âncora completa. E como ser você mesmo. E quanta energia cada um de nós tem. Guruji não estava brincando ou encenando.

O que te motiva a praticar todos os dias?

O quanto eu me sinto melhor quando eu pratico. E como me sinto vivo. E como finalmente posso sentir a minha força vital realmente fluir. E os lugares mentais que vou quando pratico. A concentração que posso atingir. E também os benefícios físicos.

Por que você pratica Ashtanga Yoga?

Porque  o Ashtanga Yoga é o único tipo de yoga que me permite trabalhar adequadamente com minha energia do jeito que me parece certo.  Eu gosto de como a prática é física. Também gosto do conceito de Vinyasa e  do trabalho da respiração com sendo o centro da prática.

Como é a sua rotina diária?

Estou sempre ocupado e fazendo coisas. Não gosto de sentir que estou desperdiçando minha vida. Não mantenho conscientemente um cronograma, mas o meu dia é sempre consistente. Se tiver que dar aulas Mysore acordo às 04:00 e pratico. Às vezes consigo encaixar algumas escalas indianas clássicas. Dou aula às 07:00 e quando termino vou para casa e como um café da manhã de grãos integrais (creme de arroz doce integral, aveia, trigo). Então canto de novo ou começo a escrever. Nesse horário, também começo a preparar uma refeição macro (arroz integral na panela de pressão, legumes com cozimento lento, bardana, Kimpira). Mas de qualquer forma eu vou cantar ou escrever até a hora de almoçar por volta de 3:00. Esse é o horário que costumo fazer uma pausa de umas duas horas. Esse descanço geralmente envolve fazer alguma leitura, tirar uma soneca rápida ou ajudar minha parceira Joy em algum de seus projetos de filmes. Por volta das 17:00 volto a trabalhar, respondendo e-mails, filmando com a Joy, mas na maioria dos dias continuo escrevendo até a hora de dormir, por volta de 10h. Eu não preciso de muito tempo de sono, nunca precisei.

Conte-nos sobre sua dieta.

Pratico uma alimentação macrobiótica aberta. Como não estou doente, a dieta macro não precisa ser tão estrita. Mas como tenho uma disposição Yin e, portanto, sou inclinado para alimentos Yin (açúcar, álcool, cafeína) preciso ser muito consciente para comer os alimentos Yang para manter meu corpo equilibrado. Os alimentos Yang mais saudáveis são o arroz integral de grão curto, bardana, nabo, daikon, cenoura, cozidos por horas. Uma das coisas que eu amo sobre a dieta macrobiótica é que você coloca muita energia para fazer a comida e, no final, você tem um prato incrivelmente saboroso e saudável. Não é como passar horas na cozinha fazendo fettucine ao molho alfredo, no qual o resultado é uma comida muito gostosa, mas também muito rica em gordura.

Quais são os 3 conselhos que você daria aos praticantes de yoga em relação à dieta?

Eu já disse isso antes: A dieta é a fronteira final para um Yogi. É muito mais fácil para as pessoas se acostumarem a acordar e ir para a cama cedo, ou ficarem fisicamente cansadas durante todo o dia, mas ter uma dieta adequada é realmente desafiador. Meu conselho é mais sobre como fazer a transição para uma dieta saudável.

# 1 Seja gentil co´sigo próprio durante a sua transição para uma dieta saudável. Esse é o ponto no qual a maioria das pessoas têm problemas. Se você começar muito radical … cortando tudo que gosta e comendo só arroz integral e nabo, você provavelmente não vai em frente com a dieta. É preciso tempo para mudar a dieta, então faça a transição lentamente. No começo se permita comer ocasionalmente  uma fatia de queijo ou uma fatia de bolo.

# 2: Coma grãos integrais. Compre uma panela de pressão e grãos e aprenda a usá-los. A comida tem um gosto muito melhor.

# 3: Mais importante ainda, faça um estudo cuidadoso de como o alimento que você come afeta sua prática. Você realmente tem que estudar isso, porque você quer ter uma prática melhor a cada dia. Isto significa que é preciso sentir quando o seu corpo e digestão estão prontos para praticar. Dessa maneira, quando estiver praticando, preste atenção em como você se sente e lembre-se o que foi que você comeu ontem. E então se você observar com cuidado e por tempo suficiente, a sua prática vai te ensinar o que você precisa comer.

Que conselho você daria para as pessoas interessadas em iniciar uma prática de yoga?

Eu sou tendencioso, mas acho que Ashtanga é a melhor prática. E a maneira de aprender Ashtanga é encontrando um professor que ensina no estilo Mysore. Matricule-se por um mês e siga as instruções do professor. Se você não pode ter acesso a um professor, então compre um DVD. Além disso, tenha sempre a intenção dentro de si próprio de honrar seu corpo. Se você deseja iniciar uma prática de Yoga é preciso perceber que o Yoga é um caminho longo. Há muito até lá. É uma disciplina que leva vários anos para se compreender e se estabelecer e, no início, você não precisa entender muito dela. Você só tem que começar. Comece pequeno e de maneira simples e veja como se sente e onde isso te leva. E continue a sentir o que está acontecendo e valorize o que você sente. Não faça demais rápido demais. E tome cuidado para não se deixar levar pelo seu ego tentando fazer asanas que seu corpo não está pronto para fazer porque você pode se machucar.

Que conselho você daria para as pessoas com agendas lotadas que praticam em casa?

1: Tenha um tempo consistente para a prática.

2: Se você só tem energia para praticar dez minutos, cinco minutos, uma Saudação ao Sol, então faça só isso. Mais uma vez, seja gentil com você mesmo. Porque aquela uma saudação ao sol pode te levar para a manhã seguinte, quando você terá ânimo para fazer toda a primeira série.

Como sua prática mudou ao longo dos últimos 10 anos?

Meu corpo ganhou idade. Eu desacelerei um pouco. Valorizo muito mais a respiração e a simplicidade. Meu foco é muito mais profundo, muito mais sutil, assim como a minha respiração. Ainda amo a prática, mas por razões muito diferentes. Agora, eu amo o exato momento em que ele está acontecendo em vez do que o que vou tirar dela quando tiver terminado.

Como você vê a sua prática mudando ao longo dos próximos 10 anos?

Eu não sei o que vai acontecer e estou feliz com isso. Só sei que estarei praticando e é provável que eu me aprofunde  e a prática me leve a novos lugares que eu nunca tenha ido. Me sinto animado em relação a  isso.

Qual é o seu maior medo?

Tentei pensar em apenas um mas isso é o que saiu: que por qualquer razão as pessoas possam não entender a minha experiência. Que eu não tenha me aprofundado suficientemente. Que eu não tenha me comprometido o bastante. Que o tempo se acabe antes de eu ter tido a chance de realmente encontrar a minha sabedoria. Que eu não consiga encarar e aceitar a meus pontos fracos e mudá-los.

Quais foram as pessoas que mais influenciaram seus hábitos saudáveis?

Pattabhi Jois, Marie Sbavoda, professores de macrobiótica (AnneMarie Colbin, Herman Aihara, Michel Abehsera), minha mãe, Jung, Patanjali .

Se você pudesse dar um conselho para uma uma sala com milhares de pessoas, o que seria?

Você tem uma reserva incrível de força vital dentro de você que se destina a ser canalizada positivamente para curar a si próprio e o mundo. Então enfrenteo os demônios que te bloqueiam, use seu poder de cura e siga em frente com sua vida.

O que você gostaria dizer a você mesmo com 25 anos?

Não tenha medo. Você tem tanto poder e tanto talento, basta seguir em frente.

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