Próxima aventura: Pasasana. E é muito mais difícil do que parece! – por Ida LaChiusa

pasasana

A linda foto foi gentilmente cedida por Ana Cláudia Lopes e Souza (http://samatvayoga.com.br). Créditos Karim Rojas @kalirfotografia.

O texto foi gentilmente cedido por Ida LaChiusa para tradução e publicação no Movimento Ashtanga.

Post original: https://surfingyogini.wordpress.com/2011/10/30/the-next-adventure-pashasana-and-it-is-much-harder-than-it-looks/

Ontem eu fui apresentada à série intermediária começando com Pasasana. Tudo o que posso dizer é em primeiro lugar “Uhuuu!”, seguido de “Jesus, isso é muito mais difícil do que parece!”. Comecei a entender porque é uma postura da segunda série e não da primeira… é uma flexão para frente combinada com uma torção profunda ao mesmo tempo.

Meu professor Andrew está em Mysore por 3 meses. Durante esse período tivemos duas professoras maravilhosas (Aimee Eco e Lisa Schempp) para substituir aqueles que estão estudando na fonte com Sharath. No começo eu fiquei bastante ansiosa com o fato de Andrew nos deixar no momento em que estava prestes a avançar – finalmente superei o medo de fazer o dropback, apesar da subida ainda ser desafiante. Em momentos como esse, me parece ser crucial praticar com alguém em que se confie e que conheça a mecânica do seu corpo e a sua dinâmica entre os asanas. Ele me disse para continuar praticando – é a própria prática que trará o avanço, não o professor. Agora eu entendo que isso era realmente verdade. Fiquei relutante enquanto estava dirigindo para o studio depois que o Andrew e o David viajaram, mas acabei indo porque sabia que meu corpo e coração sempre se sentem tão bem depois da prática de qualquer maneira.

Talvez eu tenha sido um pouco sorrateira em relação ao Pasasana. Me parece que, tecnicamente, eu deveria ter esperado meu professor voltar de Mysore e me ensinar a postura. Mas depois de fazer o dropback e começar a subir consistentemente, perguntei à Lisa sobre começar a segunda série. Ela ficou um pouco preocupada a princípio, disse que não era uma questão apenas de fazer o dropback, mas também em relação ao quão comprometido você é com a prática, como é o fluxo da respiração e os asanas, e o quão bem você já aprendeu a primeira série. “Você sabe”, ela disse me olhando atentamente, “nós não podemos simplesmente ficar passando posturas aqui. Alguns professores dão as posturas da segunda série, mas o Guruji sempre foi bem seletivo em relação a quem avançaria e quem ele queria que esperasse. Apesar disso, você tem vindo regularmente,e e está fazendo o dropback. Posso te mostrar o Pasasana e quando o David ou Andrew voltarem, diga a eles que eu achei que você poderia tentar essa postura e veja o que eles acham”.

Então eu comecei a ficar de cócoras em meus calcanhares, que queriam se levantar, apesar dos meus maiores esforços para ficarem no chão. Uma coisa é agachar e ficar com os calcanhares no chão, mas torcer e trazer a parte de trás dos braços ao redor dos dois joelhos?? Então tentei alcançar a parte da frente do meu braço atrás das minhas pernas, e pareceu a coisa mais alienígena e estranha pra mim, o que significava que eu realmente tinha entrado em um novo território. De alguma maneira, Lisa conseguiu envolver meu outro braço atrás das minhas costas e unir minhas duas mãos. Ou melhor, era mais como se tivesse apertando as pontas dos meus dedos e rezando para que eles não se soltassem. Meu corpo inteiro estava tremendo de tensão. Foi tudo que eu pude fazer para equilibrar sem meus braços voarem das suas bases e eu cair de cara no chão.

Então repeti tudo para o outro lado, e permaneci por eternas 5 respirações!! Eu quase não suava mais na primeira série – como o corpo se acostuma rápido – mas Pasasana me fez suar como se eu tivesse saindo de uma sauna. Lisa riu: “Tá vendo, colocaram Pasasana como a primeira postura da série intermediária para desencorajarem as pessoas a querer avançar nela”. Eu concordei exausta antes de fazer o vinyasa para começar os meus backbends e dropbacks, os quais – nunca pensei que diria isso – verdadeiramente me pareciam amigos familiares. Ok, estou mentindo. Meu corpo estava gritando: Ok, você me coloca no Pasasana e agora quer que eu faça backbends e dropbacks?

Bem, conseguir sobreviver ao dropback e à subida. Agora, estou sempre preocupada com lesões – meu corpo de quarenta e poucos anos não perdoa tanto quanto perdova aos vinte e poucos. Quando esse medo vem à minha garganta, eu tomo como um sinal para desacelerar e escuto meu corpo. Por exemplo, às vezes eu simplesmente caminho para trás e para frente ao  invés de fazer o jump back/jump through e toda a firula envolvida. Quero dizer, o ponto principal é que você finalize as posturas como seu corpo permitir, e não é mais sobre a cabeça do que sobre o corpo que o Guruji costumava dizer? Sempre me lembro disso queando eu começo a cair na mentalidade do tipo A, sempre querendo fazer mais, esticar mais. De qualquer maneira, eu acho que ir devagar ajuda com o medo.. levando as coisas de forma incremental faz o desafio ser mais alcançável.

Então terminei com as invertidas e sobrevivi ao Sirsasana – consigo fazer a parada de cabeça relativamente bem agora, mas tenho de admitir que ainda me traz faíscas de ansiedade. Percebi que há sete headstands no final da 2ª série!!! Mas não vou preocupar com isso agora…

Finalmente me derreti em Savasana, sentindo gratidão e alívio. Em seguida, como sempre, aquele “obrigado, obrigado, obrigado!” do corpo e da alma. Não importa quão longe você vá na prática de yoga, o mundo só é um lugar melhor e mais bonito depois que você pisa fora do tapete….

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