Kapotasana – perguntas respondidas por Paul Mitchell Gold

O texto e as imagens foram gentilmente cedidos por Paul Mitchell Gold para tradução e publicação no Movimento Ashtanga.

Post original:

Kapotasana – Question Answered

Recebi um pedido de dicas sobre Kapotasana da série intermediária do Ashtanga. Ah, Kapotasana … um dos grandes obstáculos no Ashtanga Yoga. Como tal, é também uma das grandes oportunidades para crescimento e expansão da auto-consciência. Aqui estão algumas dicas.

Uma ressalva, no entanto. A melhor maneira de se aprender um asana como este é sob a orientação de um professor qualificado. É importante desenvolver bons hábitos e ter o apoio do professor quando as coisas ficam intensas.
Meu primeiro conselho é ter paciência. Pode levar um bom tempo até se obter algum progresso neste asana e um tempo ainda mais longo antes de se sentir confortável nele. Vi muitas pessoas se frustarem por acharem que as costas não estavam se abrindo suficientemente rápido. Vi pessoas se machucarem por trabalharem a postura excessivamente, ao repeti-la muitas vezes, fazendo alongamentos extra-curriculares, etc. Vi outros, incluindo eu mesmo, começando dietas loucas, na esperança de que isso ajudaria “as coisas a se abrirem.” Algumas coisas levam tempo e outras coisas levam muito tempo. Se você tem pouca flexibilidade nas costas e este asana é difícil, observe como sua mente e suas emoções reagem ao processo de aprendizagem da asana. Use a dificuldade e o processo de aprendizagem para desenvolver as virtudes mais sutis como fé, paciência e confiança. Concentre-se na respiração, use os bandhas, seja paciente e pratique como se você tivesse todo o tempo do mundo.
Quando o asana é uma retroflexão profunda, a importância das pernas fortes, ativas é frequentemente esquecida. Nos dois asanas precedentes, Ustrasna e Laghuvajrasana, certifique-se que você está usando suas pernas tanto quanto possível. Em Ustrasana, empurre seus quadris para frente, o máximo que conseguir. Segure seus calcanhares como se eles fossem a única coisa impedindo-o de cair para a frente – esse o tanto que você precisa estar usando suas pernas. O mesmo vale para Laghuvajrasana. Continue empurrando os quadris para a frente enquanto estiver contando as cinco respirações e não deixe sua cintura dobrar ou o quadril escorrer em direção ao chão. Se você conseguir trabalhar suas pernas nestes dois asanas, haverá pagamento de dividendos na longa caminhada das mãos até os calcanhares no Kapotasana.
Quando chegar ao Kapotasana, certifique-se que suas mãos, pés e joelhos estão secos. A última coisa que você precisa é estar escorregando em seu tapete. Antes de arquear a coluna, inspire profundamente e empurre os quadris para a frente. Sinta suas pernas e pés pressionando firmemente no tapete. Isso proporciona alguma estrutura e alavancagem à medida que as costas se flexionam e os braços se direcionam para o chão / pés.
Quando começar a flexionar as costas, não tenha pressa para esticar os braços. A maioria de nós fica preso nos ombros se esticamos os braços cedo demais. Se os braços permanecem dobrados e as mãos mantidas em posição de oração perto da testa, é possível fazer um arco mais profundo do que com os braços esticados. Continue arqueando as costas e empurrando os quadris para a frente, mantenha os olhos abertos e NÃO PARE DE RESPIRAR.
Quando as mãos chegarem ao chão, resista à tentação de apoiar a cabeça. Se a cabeça toca o chão, é apenas mais trabalho para a levantar e caminhar com as mãos.

O seguinte vem diretamente do Sharath. Para andar com as mãos até os pés e calcanhares, inspire e primeiramente estique os braços, empurrando os quadris para frente e arqueando as costas. Na expiração, ande com as mãos para dentro, permitindo que os braços se dobrem um pouco, mas sem tocar a cabeça no chão. Repita algumas vezes até chegar cada vez mais perto. Uma vez que podem ser necessárias várias respirações para andar até o seu máximo, é muito importante continuar focando na respiração e usando os bandhas.
As coisas vão ficar intensas e a tendência é  de que a respiração fique curta. Não há ajuda externa que irá mantê-lo respirando. Você tem que manter a respiração por si próprio. Quando sentir que está no seu limite, respire cinco vezes deixando os cotovelos irem em direção ao chão e tentando mantê-los paralelos aos pés (já vi alguns alunos com os cotovelos balançando para o lado, o que não é desejável).

A segunda parte do asana tem os braços esticados por mais cinco respirações. Continue empurrando os quadris para frente e sinta as pernas e os pés pressionando de maneira que o peso não fique completamente nos braços. Depois de cinco respirações, inale e suba lentamente. Mantenha a respiração e os bandhas, tanto quanto possível. Eu sei que você estará cansado e sentindo um monte de coisas, mas é importante manter a estabilidade interna depois de uma retroflexão tão forte.
Os alunos podem tentar Kapotasana até três vezes, se tiverem a energia e o tempo. Qualquer coisa a mais do que isso pode gerar apego e como Guruji diria, “is crazy making.”
Uma sugestão final. É importante aprender a andar sozinho. Se você tem sorte o suficiente de ter um professor, você deve tentar fazer o asana pelo menos uma vez antes de obter ajuda. Enquanto um instrutor pode ajudá-lo a chegar com suas mãos mais próximas dos pés e tornozelos do que você consegue sozinho, eventualmente você vai querer ser capaz de fazer o asana de forma independente. Alguns instrutores (não vou citar nomes) não incentivam seus alunos a aprender a fazer o asana por conta própria. Infelizmente, isso gera um nível de dependência que pode ser bom para o negócio, mas não é bom para o desenvolvimento do aluno.

 

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