Falta de flexibilidade, um impedimento? – Por Helena Rosenthal

O texto a seguir foi gentilmente cedido ao Movimento Ashtanga por Helena Rosenthal para publicação.

Link para o texto original: http://ashtangapitanga.blogspot.com.br/2013/02/sobre-falta-de-flexibilidade-corporal.html

“Cara professora Helena,

Li uma matéria sobre a escola Ashtanga Vinyasa Yoga na Revista Yoga Journal de jul/ago de 2011, na qual vc comenta sobre as mudanças em curso e o estilo dessa escola. […] Estou tentando desacelerar e investir mais no autoconhecimento. Pratico yoga em casa, mas ainda não consegui manter a regularidade. É meta deste ano.

Tenho 39 anos e bem pouca flexibilidade. Algumas posturas não consigo fazer de jeito nenhum. Isso me desestimula um pouco. Na referida matéria, você comenta algo como tirar o foco das posturas e entendê-las como meio e não fim. Para um principiante soou-me um alívio. Alguma dica relevante pra quem está nos primeiros passos?

Você sugere algum livro ou site para me aprofundar a respeito desse aspecto?
Você faz curso de formação de professores ou de aperfeiçoamento para alunos?
Denis”


“Olá Denis, grata pela mensagem.

A meu ver é essencial termos em mente que esta técnica, o Ashanga Vinyasa Yoga, é primordialmente uma prática de respiração: respiração em movimento.

Oferecemos diferentes posições, ou ângulos corporais, para que a respiração se mova desobstruindo sutilmente os bloqueios físicos e energéticos.

As posturas corporais (ásanas) são agrupadas em uma ordem específica (as chamadas “séries”) de modo bem inteligente: um ásana a preparar o corpo para o seguinte, e assim por diante.

Gradualmente vamos memorizando a sequência e compreendendo a forma (vinyasa) correta de entrar e sair de casa posição. É preciso familiarizar-se com a postura e fazê-la com certa proficiência e segurança antes de seguirmos para o ásana seguinte. A conclusão da primeira série se dá lentamente e cada praticante a desenvolverá de acordo com sua capacidade e dedicação.

Passado o primeiro momento (onde há maior labor físico, desintoxicação orgânica e memorização das sequências), podemos nos debruçar sobre aspectos mais sutis dessa técnica buscando, por exemplo, suavizar a respiração e mantê-la potente e homogênea durante TODA a prática; trabalhar a retração dos sentidos, trazendo o foco da mente exatamente para o que se está a executar; observar os padrões mentais, etc. Desta forma vamos convertendo todo o processo em uma prática de concentração/meditação em movimento.

Podemos concluir portanto que a forma externa dos ásanas não é tão importante quanto os acontecimentos internos. Praticar Yoga é ampliar a presença, concentração, a amorosidade com o próprio corpo e suas atuais limitações.. sim, é também uma prática de purificação orgânica, que tonifica os músculos e promove a elasticidade dos tecidos porém o que nos interessa, afinal, é diminuir ou cessar as flutuações e oscilações de nossas mentes e, para este fim, o corpo é o instrumento.

Curso de formação em Ashtanga Vinyasa Yoga tradicionalmente é apenas oferecido pelo instituto http://kpjayi.org/, hoje dirigido por R. Sharath Joys e localizado em Mysore, Índia. Foi ali que obtive a autorização para ensinar, após frequentar por alguns meses anualmente. Vale salientar que Yoga é uma disciplina extremamente  profunda e seremos eternamente estudantes. São necessários muitos anos de prática para que comecemos a compreender um pouco tudo aquilo que Yoga não é.
Helena”.

 

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1 thought on “Falta de flexibilidade, um impedimento? – Por Helena Rosenthal

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