Usando o bandha para controlar a energia da respiração – por Dr. Ronald Steiner

O seguinte texto foi gentilmente cedido por Dr. Ronald Steiner para tradução e publicação no Movimento Ashtanga. Publicado originalmente no blog do AYI®.

Dois pólos de uma bateria entre os quais a energia flui – desta forma os bandhas conduzem a respiração através do corpo. Trabalhando contra a força da gravidade e trazendo leveza. Aqui você vai encontrar o que precisa saber sobre os bandhas.

O bandha permite que a energia flua. Isso é tecnicamente algo muito sutil. Portanto, a ação física e a contração muscular são apenas uma pequena parte do bandha. Mula Bandha e Uddiyana Bandha são as duas válvulas mais importantes na prática do Ashtanga Yoga.

Mula Bandha é apresentado como a contração dos músculos do assoalho pélvico. Imagine que você precisa ir urgentemente ao banheiro, mas não há nenhum por perto – você provavelmente já está usando o Mula Bandha. Para fortalecer os músculos do assoalho pélvico fraco, Keigel recomenda a prática de parar o fluxo ao se urinar. Alternativamente, contrair os músculos para a frente e para trás e, em seguida, concentrar-se em conseguir uma contração suave em algum lugar no meio, assim você está um passo mais próximo do Mula Bandha. Ative o Mula Bandha no final de uma inalação, à medida que a exalação é iniciada. Puxe o assoalho pélvico para dentro e para cima.

O Uddiyana Bandha é ativado ao se colocar suavemente o estômago para dentro. No final da exalação, quando começar a necessidade de inalar, imagine um fio de ouro dois dedos de largura abaixo o umbigo, que está puxando para dentro e para cima. Do ponto de vista anatômico, os músculos abdominais transversais serão levemente ativados.

Mula Bandha está ligada à expiração, Uddiyana Bandha à inspiração. Ambos bandhas devem permanecer ativados continuamente ao longo da prática. No início isso é muito difícil e você vai perceber o tempo todo que se esqueceu dos bandhas. Veja isso como um sucesso já que se lembrou. Com a prática você vai se lembrar dos bandhas cada vez mais, até que um dia ele vai se tornar um companheiro constante da prática.

Do ponto de vista anatômico, esses dois bandhas dão suporte à respiração. Experimente  (leia o texto lentamente em voz alta, com uma pequena pausa após cada seção):

Deite-se completamente relaxado no chão, de costas. Feche os olhos e respire calmamente para dentro e para fora pelo nariz. Coloque uma mão no seu umbigo. Você pode sentir como o seu abdômen se eleva na inspiração e se abaixa na expiração. O que você está sentindo é a ação de seu diafragma, que contrai sob a caixa torácica durante a inalação empurrando assim os órgãos abdominais para a frente.

Na próxima exalação, ative Mula bandha e depois o Uddhyana Bandha na inspiração seguinte. Agora o estômago não pode mais se elevar, mas o diafragma continua se contraindo como antes. O diafragma pressiona contra os órgãos abdominais que estão sendo sustentados na frente pelo Uddiyana Bandha e por baixo pelo Mula Bandha. Como resultado deste apoio dos órgãos abdominais durante a inalação, o diafragma levanta a caixa torácica.

Observe que durante a respiração, os dois bandhas estão inseparavelmente conectados. Ambos são necessários para dar suporte firme à respiração.

Devido ao efeito combinado dos bandhas com a respiração são criados firmeza no tronco, alongamento na coluna vertebral e espaço para o movimento. A estabilidade do tronco é essencial para o movimento poderoso do corpo. Apenas um tronco estável pode ser levantado de maneira deslumbrante em paradas de mão. O comprimento criado na coluna vertebral minimiza a pressão sobre os discos intervertebrais durante as profundas flexões para frente e evita um possível impacto dos processos espinhosos das vértebras durante os aparentemente impossíveis backbends. Barriga para dentro também proporciona espaço para vários asanas (posturas) em que o excesso de volume nesta área seria uma desvantagem.

Bandha é um reflexo natural para movimentos potentes do corpo. Você pode observar como os bandhas são ativados naturalmente quando você levanta um objeto pesado. Ginastas, acrobatas,  bailarinos e outros atletas conhecem esta técnica com diferentes nomes e a utilizam como um ferramenta essencial nos seus esporte.

Energeticamente, os bandhas criam duas forças opostas, como os pólos de uma bateria, entre os quais a energia pode fluir. Mula Bandha puxa energia para a extremidade inferior da coluna vertebral, para o Chakra Muladhara representando o elemento terra. Mula Bandha faz com que você se conecte com esta energia aterrada, proporcionadno firmeza e estabilidade. Uddiyana Bandha literalmente significa “voar para cima”. Uddiyana Bandha puxa o Prana (energia) para cima através da coluna vertebral desde sua fundação, o Chakra Muladhara. Uddiyana Bandha te conecta com o elemento ar, a energia do Chakra Anahata no meio da caixa torácica. Uddiyana Bandha dá leveza, ajudando a superar a força da gravidade.

No começo não havia nada e, do nada, veio o som. Este som original é chamado Spanda. A vibração deste primeiro som dividiu o nada em duas forças opostas. Como o mais e o menos, que juntos novamente resultam em nada. O universo inteiro existe no campo criado por essas forças opostas, na vibração desse som original. Se o som se dissipar no silêncio, então o universo se desintegrará novamente no nada. Como está descrito no Tantra. Todo o cosmos é uma dança temporária entre as duas forças opostas, energia ascendente (Prana) e energia descendente (Apana), inalação e exalação, macho e fêmea, luz e escuridão, duro e macio, positivo e negativo, sol e lua, destruição e criação – Uddiyana Bandha e Mula Bandha.

A prática de Ashtanga Yoga simboliza a dança dos opostos que compõe o mundo. A cada inspiração você se esforça para se mover para cima, para expandir, e a cada expiração você se enraíza firmemente no chão, tornando-se pequeno e compacto. A cada inalação, Uddhyana Bandha conduz a energia para cima, permitindo que você se torne luz, conectando com o ar. A cada exalação Mula Bandha conduz a energia para baixo, tornando-o pesado, conectando você com a terra. Se as forças de oposição estão em equilíbrio, então você pode se encontrar em harmonia interna e saúde corporal.

Jalandhara Bandha é a terceira válvula energética que pode ser utilizada no Ashtanga Yoga. Você pode ativar o Jalandhara Bandha, ao abaixar um pouco o queixo. Enrole sua língua para trás e para cima contra o palato e sorria ligeiramente. Jalandhara Bandha redireciona a energia ascendente na coluna vertebral em um movimento espiral para frente. Jalandhara Bandha conecta você com o elemento éter, com o Ajna Chakra no meio da cabeça. O queixo não deve ser abaixado em todas as posturas. No entanto a qualidade energética de Jalandhara Bandha persiste.

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