Entrevista com Sharmila Desai


 

1. Como fazer da yoga uma ferramenta para transformação social?

Aplique a força vital que vivenciamos em nossa prática nos relacionamentos e no mundo que nos rodeia.

Gandhi foi um exemplo perfeito do “ser a mudança” que também leva à transformação social. Sua vida de serviço incorporou os principais princípios yoguis de ahimsa e satya. Satish Kumar é um modelo moderno vivo de alguém que vive a yoga, criando condições para a ação ambiental e a ação social.

2. O que mudou na sua vida e na sua prática quando você decidiu se tornar professora?

Eu esperei bastante tempo para formalmente compartilhar a prática e me tornar professora. Só comecei a ser assistente quando estava aprendendo a metade da série avançada, como ensinado em Mysore. Primeiro, eu queria viver e aplicar o que foi diretamente transmitido nos ensinamentos como o caminho para a verdade. Eu desejava que quando chegasse o momento de compartilhar o que tinham me ensinado, eu já tivesse experimentado sua verdade através da sua vivência. Tornar-me mãe tendo que me abdicar da prática física como eu a entendia, e então reconstruí-la duas vezes de maneira holística, me ensinou bastante sobre os aspectos mais sutis de esforço e da rendição. Fez muito sentido para mim o fato de eu ter sido certificada só depois de ter tido meus dois filhos, Asha and Arjuna.

Ser praticante, professora, mãe, jardineira, me mostraram que aprendizado e crescimento nunca param.

3. Você pode compartilhar uma memória do Guruji?

De vez em quando, depois das aulas, Guruji fazia café. Eu o reverenciava tanto que estava sempre nervosa demais para falar em sua presença, especialmente por ser uma iniciante. Nós nos sentávamos e tomávamos café e às vezes ele lia o jornal. Havia uma doce e profunda conexão entre nós, simplesmente sentados juntos em silêncio.

4. Como a prática pode se tornar mais espiritual? Como podemos praticar o Bhakti yoga?

A yoga autêntica é uma disciplina espiritual. A humildade e a devoção nutrem a espiritualidade já inerente à forma.

Minha primeira introdução ao Bhakti foi quando estudei dança clássica indiana. Eu estava aprendendo uma dança pertencente a uma deidade particular e minha professora me deixava em um templo com a instrução “fique aqui e deixe as qualidades da forma se tornarem parte de você”. Ela encorajava uma fusão interna com algo divino que, mais tarde, se incorporaria na dança. Este é um sentimento que não pode ser formalmente “ensinado”, mas deve ser experimentado com tempo, sensibilidade e devoção genuína.

Ao longo dos anos, percebi que ter um altar ajuda a concretizar minha prática pessoal como forma de oração e oferta.

5. Você teve muitos alunos. O que você observa como a principal mudança em suas vidas após Ashtanga?

A principal mudança que eu observo é o aprofundamento da compaixão e da conexão.

6. Como sua compreensão da prática mudou depois que você se tornou mãe?

Tornar-me mãe me ensinou que a vida é uma prática espiritual. Em cada momento e através de nossas ações no aqui e agora guiado por um respeito a tudo que nos cerca.

 

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1 thought on “Entrevista com Sharmila Desai

  • Tive a oportunidade de participar de uma formação com Sharmila. Ler seus ensinamentos me reportou aqueles dias especiais onde meditávamos sentados antes dos asanas. Isto ajudava a conectar melhor com meu eu. Seus ajustes eram leves e firmes. Nesta entrevista ela confirma que certas coisas tem seu momento para acontecerem. Ela com certeza é uma grande luz em nosso caminho da yoga.

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