julho 24, 2016

Sobre o Ashtanga

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Ashtanga Yoga é um sistema de Yoga que foi ensinado por Vamana Rishi no Yoga Korunta. No início do século XX, esse texto foi transmitido por seu Guru Rama Mohan Brahmachari a Sri T. Krishnamacharya, que posteriormente transmitiu seus conhecimentos para Pattabhi Jois, a partir de 1927.

Ashtanga significa literalmente oito membros ou ramos, dos quais asana (postura física de yoga) é um deles, sendo pranayama (respiração), outro ramo. Os dois primeiros membros são yamas (código de conduta) e niyamas (orientações e observâncias). Os demais ramos são pratyahara (controle e abstração dos sentidos); dharana (concentração), dhyana (meditação), samadhi (contemplação).

A técnica utilizada pelo Ashtanga Yoga consiste em unir sincronicamente Ujjayi Pranayama (técnica de respiração), Bandhas (contrações que atuam como fechaduras de energia ou selos) e Dristi (olhar em foco). Através deste método, os praticantes desenvolvem o controle dos sentidos e uma profunda consciência de si mesmos e suas sensações, emoções e funcionamentos internos da mente.

As principais características que diferenciam o Ashtanga dos demais estilos de yoga são:

1. Sequências fixas de posturas

A prática de Ashtanga inicia com cinco repetições de Surya Namaskar A (saudação ao sol A) e cinco (ou três) repetições de Surya Namaskar B, seguido pela seqüência em pé. Depois disso, o praticante inicia uma das seis séries, e finaliza sua prática com seqüência de fechamento. Ao fim da prática é realizado o relaxamento (ou savasana). As seis séries são:

  • Primeira série: Yoga Chikitsa ou Yoga Terapia
  • Série intermediária: Nadi Shodhana, purificadora do sistema nervoso (também chamada de segunda série)
  • Série avançada: Sthira Bhaga, centramento da força
  • Avançado B ou Quarta série
  • Avançado C ou Quinta série
  • Avançado D, ou Sexta série.

De forma geral, os professores indicam aos alunos a inclusão de novas posturas em suas séries apenas quando existe domínio da postura anterior. No entanto, ocasionalmente o professor pode optar por uma estratégia diferente, considerando a situação específica do aluno, em um estilo menos linear.

2. Aulas em estilo Mysore

O termo “estilo Mysore” vem da cidade de Mysore, em Karnataka, na Índia, onde Pattabhi Jois e T. Krishnamcharya ensinavam. Os alunos devem memorizar suas seqüências e praticar juntos em uma mesma sala, sem o comando do professor. O papel do professor é orientar caso existam dúvidas, fornecer ajustes e auxílio durante a prática, e adicionar novas posturas às séries dos alunos. Semanalmente é realizada uma aula guiada, onde o professor lidera todos os alunos na mesma sequência e ritmo.

3. Frequência de prática e dias de descanso

Tradicionalmente, a prática é realizada seis vezes por semanas, sendo normalmente os sábados (ou domingos) reservados para descanso. Conforme explicado nesse post, existe também a observação de não se praticar nos dias de ápice da lua cheia e da lua nova. Adicionalmente, recomenda-se o descanso para mulheres durante o período menstrual.

4. Respiração

A prática de Ashtanga é centrada na respiração, através do Ujjayi Pranayama. Esta técnica em particular envolve o fechamento parcial da glote à medida que você inspira e expira, produzindo um som semelhante às ondas do mar em uma praia. Para todo movimento, há uma respiração. Por exemplo, na saudação ao sol existem nove vinyasas (sincronização do movimento com a respiração). O primeiro vinyasa é realizado quando, ao inalar, se levanta os braços sobre a cabeça, juntando-se as mãos. O segundo é quando, ao exalar, se flexiona para a frente, colocando as mãos ao lado dos pés. Em geral, após as saudações ao sol, permanece-se em cada asana por cinco respirações.

5. Utilização dos bhandas

Os bandhas são válvulas internas que devem ser engajadas durante a prática de asanas. Eles são utilizados para prevenir que a energia se esvaia, o que é algo bem sutil. No Ashtanga, três bandhas são utilizados, sendo que os dois primeiros devem ser ativados durante toda a prática:

  • Mula Bandha: introduzido inicialmente como a contração do assoalho pélvico (ou ânus).
  • Uddiyana Bandha: ativado ao suavemente ao se colocar a barriga para dentro.
  • Jalandhara Bandha: ativado ao se abaixar levemente o queixo em direção ao peito.

Parafraseando Richard Freeman (que pratica há mais de 50 anos): “If you ever find the bandhas let me know…” – “se um dia encontrar os bandhas, por favor me avise”.

6. Dhristi

Dristhi é o foco do olhar, quando se realiza um asana. Existem nove dristhis: nariz, entre as sobrancelhas, umbigo, polegar, mãos, pés, para cima, lado direito e lado esquerdo.

 7. Mantras

O mantra inicial é geralmente entoado em forma de pergunta e resposta (o professor canta e os alunos repetem em seguida). No entanto é comum encontrar shalas nos quais professor e alunos entoam juntos o mantra. Quando os alunos chegam após esse momento, é comum que cada um entoe individualmente o mantra inicial antes de iniciar sua prática.

Em geral, os alunos entoam individualmente o mantra final antes do relaxamento à medida que vão terminando suas séries.

Mantra inicial

Om vande gurunam charanaravinde
sandarshita svatma sukhava bodhe
nih shreyase jañgalikayamane
samsara halahala mohashantyai
abahu purushakaram
shankhachakrasi dharinam
sahasra shirasam svetam
pranamami patañjalim Om

Mantra final

Om swasthi praja bhyah pari pala yantam
nya yena margena mahi mahishaha
go brahmanebhyaha shubamastu nityam
loka samasta sukhino bhavantu
Om shanti, shanti, shantihi